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O Museu das Culturas Dom Bosco - MCDB
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Campo Grande, 28 de Junho de 2017

Museu de Meruri

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Museu Comunitário de Meruri
Por: Carvalho & Silva
De Museu das Culturas Dom Bosco
Fonte: Arquivo Documental

 
Conheça o Museu Comunitário de Meruri.

Cada objeto da cultura bororo, bem como a matéria prima com a qual é feito estão intimamente ligados ao seu mundo mítico ritual e por isto mesmo não podem ser vistos fora de um contexto carregado de sacralidade. Considerar qualquer objeto desta cultura como meramente material seria condená-lo ao esquecimento, isolá-lo da vida, destruí-lo juntamente com toda sua história. Aliás,nenhum objeto étnico pode ser visto pelo que parece ser, mas pelo significado que produz na sua relação e correlação com seu contexto cultural. No caso dos Bororo, os objetos são a expressão do ideal estético deste povo, o símbolo de individualização da etnia, são, portanto, um poderoso sistema comunicacional vivo com uma potencialidade sígnica indescritível.
As potencialidades deste sistema puderam ser testadas e confirmadas a partir de 1999 quando foram trazidas para a aldeia de Meruri fotografias de cada objeto da etnia bororo pertencente à coleção do Museo Etnológico Missionário Colle Don Bosco. Na aldeia os objetos deixaram de ser símbolos adormecidos de uma cultura distante para se transformarem em rastros, pistas, sinais, índices, de textos culturais inscritos na história pelos ancestrais para que compreendessem o passado como algo capaz de interagir com a compreensão do novo, criando um momento cheio de esperança dentro da comunidade.

Em um primeiro momento, as fotografias serviram de estímulo para pesquisa bibliográfica e a produção de textos na Escola de Meruri, depois, para a produção de objetos e a realização de ritos quase esquecidos[1], mais tarde, para a implantação de um Centro[2] de Pesquisa e Valorização da Cultura Bororo na aldeia, seguida da repatriação de uma pequena coleção de objetos[3] que selou o diálogo entre o Museu do Colle e a aldeia de Meruri, região onde, no passado, a coleção foi coletada.
A partir da implantação deste Centro[4] foram iniciadas oficinas de revitalização da técnica, nas quais a arte bororo foi exercitada e transformada em objetos da plumária,, da tecelagem em algodão, da cestaria, dos adornos corporais em madrepérola, dos utensílios e armas. Além dessas oficinas foram realizados cursos de fotografia e vídeo nos quais os Bororo tiveram a oportunidade de perceber que as imagens fotográficas são captadas a partir do olhar do próprio fotógrafo e que , portanto, um registro da sua cultura seria muito mais verdadeiro se pudesse ser carregado do seu próprio saber e do seu próprio sentir.
Paralelamete, o acervo de fitas cassete gravadas por Padre Ochoa durante mais de 20 anos começou a ser digitalizado para a divulgação e revitalização da música bororo.
A cada oficina, uma festa reunia jovens, velhos e crianças munidos de um mesmo entusiasmo que parecia lhes devolver, além da técnica de se fazer objetos, a riqueza que começaram a perder desde o momento em que as necessidades materiais de outras culturas passaram a ser assimiladas. De fato, cada um que ainda podia reconhecer ou que reaprendia a conhecer as insígnias[5] de seu clã de origem estampadas nos objetos, exclamava orgulhoso: “este é meu; este é meu!” 
 
“Na nossa cultura, marigudo, cada um tinha o seu e assim todo mundo era rico. Não tinha ninguém pobre.Nós só ficamos pobres depois que passamos a usar as coisas dos brancos. O Centro de Cultura aqui em Meruri está fazendo a gente aprender a lembrar daquilo que é nossso.. Nossos enfeites são bonitos demais! Este arco que veio la do Museu da Itália é bonito demais! Nós vamos fazer um igualzinho. .Este pariko mesmo da fotografia, eu nuncatinha vistoi igual. Eu já morei em Piebaga e nasci em Gomes Carneiro e nunca tinha visto um pariko enfeitado com cabelo . E eu fiz ele. Ta ai prontinho e nós agora sabe que ele existe. Ë nosso! Isto é muito importante porque nós tamos aprendendo para poder ensinar que nada morre quando se quarda uma semente qualquer. Essa semente tava la no museu da Itália e veio nascer aqui na aldeia e de agora para frente o novo substitui o velho igual um broto novo substitui um kado velho.”
 
O Centro de Cultura de Meruri passou a ser o orgulho dos Bororo, lugar de reflexão, estudo, ponto de encontro e reencontro, de criação e produção. Abriu novas perspectivas pedagógicas para a Escola que está empenhada no propósito de que para educar não basta que se transfiram conhecimentos, mas que se criem possibilidades para sua construção. Tornou-se capaz de, por intermédio desses laboratórios, envolver a comunidade em um processo de pesquisa constante que reaviva a memória étnica e revitaliza a cultura.

 


[1] A produção de textos na Escola, que priorizou o conjunto de objetos pertencentes ao rito de nominação, estimulou o acontecimento do rito durante o estudo.
[2] Por escolha dos próprios Bororo o Centro foi inaugurado com o nome do missionário assassinado (1976) em defesa de suas terras, o alemão Padre Rodolfo Lunkenbein.
[3] Os objetos repatriados fazem parte de um ritual chamado MORI que acontece no final do ciclo fúnebre no qual, depois de abatida uma onça, os objetos são confecciondos ritualmente e entregue à família enlutada para lhe servir de estímulo para que seus membros voltem a se enfeitar.
[4] O Centro é formado de um arquivo para abrigar as obras e a documentos referente a cultura bororo, uma biblioteca, uma sala de vídeo, uma Sala de Expressão de Cultura[4], local de produção e abrigo do acervo da cultura material e um laboratório de imagem e som para o registro de suas festas e rituais.
[5] Todos os objetos bororo são blazonados com as insígnias de cada clã, por meio de plumas e cores de plumas
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